
Que consequências as profundas transformações que se estão a produzir no mundo podem ter para as companhias energéticas?
Estamos a assistir a um deslocamento do centro de gravidade da governança mundial, que transforma o planeta num novo sistema multipolar, estruturado ao redor dos países do G20. Ao mesmo tempo, a pujança das grandes economias emergentes, com o seu imenso apetite de recursos naturais, cria um imenso desafio no plano energético para atender simultaneamente as exigências de segurança de fornecimento, competitividade e contenção dos impactos ambientais.
O crescimento da população mundial e os seus níveis de desenvolvimento levam aparelhado um incremento do consumo energético mundial cujas consequências exigem uma mudança de modelo energético. O que nos serviu no passado já não vale para o futuro.
As companhias energéticas estamos chamadas a envolver-nos na transformação do modelo, que vai vir condicionado por quatro grandes questões: em primeiro lugar, compassar a oferta à demanda de petróleo e gás obriga a procurar recursos cada vez de mais difícil acesso e de maior custo; segundo, não cabe dúvida de que os combustíveis fósseis vão seguir a ser uma parte essencial do mix energético, mas será conjuntamente com o desenvolvimento importante de novas energias; terceiro, à medida que a certeza de fornecimento dos hidrocarbonetos se veja submetida a maiores tensões, cobrará maior relevância o peso da energia no panorama geoestratégico mundial; e por último, a mudança climática, um factor que, por si só já bastaria para nos exigir empreender mudanças profundas no modelo energético tradicional.
Que papel joga a Repsol em relação a estas mudanças, e quais os seus desafios em relação ao desenvolvimento sustentável?
As expectativas sobre a contribuição de uma companhia como a nossa ao desenvolvimento sustentável ampliaram-se consideravelmente. Espera-se de nós que nos impliquemos mais numa multidão de temas que preocupam a sociedade, como os direitos humanos, a luta contra a corrupção, a influência sobre a cadeia de fornecimento, os direitos de propriedade intelectual, a publicidade justa, a protecção de informação pessoal, o acesso a recursos essenciais, ou o consumo responsável.
Entre todos esses temas destaco a nossa resposta ao desafio ambiental. A magnitude da redução de emissões de efeito estufa que é necessário abordar requer medidas que afectarão todos os sectores e todos os países. Repsol deverá exercer um papel muito relevante para fazer frente a este desafio, como agentes de desenvolvimento e de bem-estar que somos em todas as sociedades em que operamos. Actualizámos a nossa Estratégia de Carbono com o fim de avançar na redução da intensidade de carbono das nossas operações, mediante o fomento das oportunidades de redução de emissões, a aposta pela eficiência energética e a exploração de recursos energéticos de menor conteúdo em carbono.
Outra questão de grande ênfase é o nosso compromisso público com a transparência, como contribuição para os esforços multilaterais a favor da correcta governança e contra a corrupção. Repsol dispõe de elementos de governo que impõem o comportamento ético e que promovem activamente a transparência em todas as nossas actividades, cujo único limite deve ser a obrigação de não dar informação legalmente reservada, que atente contra a segurança ou que vulnere a privacidade das pessoas, que seja comercialmente sensível ou que interfira com a livre concorrência.
Que mudanças se estão a produzir em Repsol e qual é o plano de rota que segue a companhia para a sustentabilidade?
A contribuição da Repsol para o desenvolvimento sustentável compõe-se de iniciativas a curto prazo e a médio e longo prazo. Entre as últimas estão muitas de que integram a nossa I+D, e também se incluem as aquisições de conhecimentos e tecnologias emergentes. As iniciativas de curto prazo, um ou dois anos, são as que foram seleccionadas como prioritárias pelas unidades no seio do Comité de Responsabilidade Corporativa da Repsol e conformam o nosso Plano de Sustentabilidade, que na sua versão actual tem um horizonte 2012.
Este Plano, que os cidadãos podem descarregar no nosso portal, apanha compromissos concretos, com indicadores mensuráveis, de avanço no campo do comportamento ético, em respeito aos direitos humanos, em matéria de diversidade, integração e conciliação laboral, em segurança e para a contenção dos impactos ambientais. Além do mais inclui uma série de actuações no âmbito da nossa cadeia de valor, através das quais vamos seguir a influir nos nossos fornecedores, empreiteiros, subcontratistas, distribuidores, sócios e clientes quando os seus standards éticos, sociais e ambientais tenham percurso de melhoria.
O nosso Plano de Sustentabilidade vai actualizar-se cada ano. Prestaremos contas das iniciativas comprometidas para cada exercício e das novas iniciativas que as unidades vão incorporando baseando-se nas expectativas das partes interessadas e nos standards internacionais de aplicação.
Em 2010 a ONU deu passos decisivos para esclarecer o papel das empresas em prol dos direitos humanos. O que supõe este novo marco para Repsol?
Ainda que na linguagem das empresas ainda não seja frequente a expressão "direitos humanos", e o tema pareça estar a emergir agora como uma nova prioridade, na realidade levamos anos preocupando-nos pelos direitos laborais, a erradicação do trabalho infantil, a não discriminação, a saúde, a segurança e muitos outros temas relativos aos direitos humanos.
O que nos propõem as novas disposições da ONU sobre empresas e direitos humanos são uma gestão íntegra e sistemática dos 30 direitos protegidos pela Declaração Universal e os instrumentos da legalidade internacional que a desenvolvem, e que essa gestão vá dirigida a que as actividades e decisões da companhia não interfiram no grau de desfrute destes direitos, e a que nos ocupemos de maneira adequada dos impactos negativos, se os mesmos chegarem a ocorrer.
O plano de rota para que o novo standard corporativo de direitos humanos esteja integrado em todas as facetas dos negócios vai requerer grandes esforços. A maioria das controvérsias que viemos gerindo não pertence ao âmbito das nossas actividades directas, mas a situações em que temos de enfrentar riscos relativos aos direitos humanos por parte de terceiros, sejam fornecedores, empreiteiros, distribuidores, sócios ou até mesmo agências governamentais.
O consenso obtido ao redor da ONU, que pela primeira vez na longa história do debate sobre empresas e direitos humanos foi muito amplo, dotou-nos de um processo de diligência devida cujo centro é a avaliação de riscos e a prevenção. Temos de aprender, de adaptar e de incorporar às nossas operações este processo a um ritmo razoavelmente rápido, em relação com a magnitude do desafio que supõe.
Que pontos chaves destacaria em relação ao desempenho da Repsol em 2010?
Destaco especialmente os resultados em matéria de segurança. Apesar de que não tivemos um ano livre de fatalidades, motivo pelo qual não nos podemos sentir satisfeitos, continuámos a reduzir o índice de frequência de acidentes do nosso pessoal próprio e empreiteiro, e estamos a destinar mais recursos ao incremento da segurança dos nossos processos, bem como à melhoria da qualidade das nossas investigações de incidentes.
No plano da nossa contribuição para paliar o problema da mudança climática, em 2010 continuámos a reduzir o nosso consumo total de energia e as nossas emissões de CO2.
Também podemos dizer que a cada ano somos uma empresa mais diversa. Temos mais mulheres ascendendo em igualdade de condições na escala profissional, mais pessoas no quadro de pessoal de diferentes idades e nacionalidades, e mais empregados com deficiência integrados na nossa casa, e todos estes são factores que fazem com que todos os que formamos Repsol sintamo-nos especialmente orgulhosos.

Última actualização: 25 de Maio de 2011
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